Desperto de um intenso sono
Agressivamente quero te envolver
Sem medidas, sem palavras
Perdi o total prumo da razão.
Meu pensamento está revirado
Sinto-me como um monstro
Faço-te sentir dor
Choras pela minha maldade
Sou abusivo e extravagante
Inconsciente de meus atos
Movido por meus devaneios
Não sei por que assim ajo.
Mas desperto de meu sono
Como que num reflexo
E percebo o absurdo aqui perto
Sem palavras, sem medidas
Ponho-me em desespero
Total entrega da loucura
Inconformado vejo a dor
Que de teu peito emana
E meus olhos respingam
Meu coração se dilacera
Vejo minha flor definhar
Seu lindo rosto que chora.
A porta da cabana está aberta
Um vento frio sopra em meu rosto
Minha agonia torna-se mais forte
Não meço esforços e corro
Vejo o abismo a minha frente
Blocos de pedras e precipícios
Sem o menor receio salto
Pairo pelo ar por instantes
Pesado, estagnado eu caio
Livro-me daquela dor
Mas a culpa é infindável
Sinto o sabor amargo da morte
O gosto azedo da culpa
A consciência que maltrata
E num reflexo instantâneo
Sinto o fim de tudo.
Minha amada ficou só
Meu corpo espedaçou-se
Mas comigo carregarei
Uma injúria eterna da qual
Jamais me livrarei
E minh'alma vendo o estrago
Apenas disse: Vai tarde!
Morri...
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