quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Vai me engolir!

O relógio de parede da sala registrava 7:35 da noite, a televisão fazia seus anúncios para o telejornal que logo se iniciaria, meus familiares distraídos com suas ocupações e eu havia acabado de recolher os pratos do jantar e colocado na cozinha. Tive um dia de aula exaustivo, a fadiga já dominara meu corpo e o meu espírito. Nada muito exagerado para um jovem de dezessete anos, mas o suficiente para manter-me preso dentro de casa numa noite de quarta-feira.


Sento-me na poltrona da sala na companhia ilustre do meu pai. Conversamos algumas coisas muito rapidamente, ele pôs-se a ler sua revista Seleções Readers Digest e eu apenas descansava um pouco para logo mais tarde entrar em meu processo sagrado de hibernação. Mas a campanhia toca e meu ilustre pai não esboça a menor reação e continua sua leitura. Ela torna a tocar. Tive a obrigação de deslocar meu pesado corpo cansado para abrir aquele velho e sujo portão de madeira. Da porta de casa até o portão do muro eram cerca de 4 metros que mais pareciam 4 quilômetros. Tentei visualizar algo por entre as brechas da madeira, mas nada vi além de uma sombra.

Vagarosamente abro o portão e me deparo com a presença de uma jovem garota com um rosto bem familiar, mas que não sabia de quem se tratava. Ela me olha com encantamento e cita o meu nome desejando-me boa noite. Respondi-lhe educadamente e perguntei o que desejava, de prontidão a jovem moça diz querer conversar comigo em particular. Achei aquilo meio esquisito, mas obviamente não rejeitei o seu convite e logo tornei para dentro de casa, vesti uma camiseta, passei um pouco de perfume e esqueci até que estava cansado. Meu pai permanecia imóvel, mas perguntou-me aonde eu ia, respondi-lhe que saia para resolver umas "paradas acolá". Ele fez um ar de suspeito e continua a leitura.

Chegando de volta à calçada percebi que a menina parecia apreensiva e ansiosa por alguma coisa. Dirigimo-nos à lateral de minha residência, ficamos um pouco mais reservados e perguntei-lhe seu nome. Ela diz com voz singela: Paula. Disse-me que eu não a conhecia, mas que ela me observava há muito tempo e que sempre foi apaixonada por mim. Esta notícia me surpreendeu e causou-me um riso tímido e encabulado. Ouvi atenciosamente seu desabafo por um rápido instante até que ela me faz um pedido nada inesperado. Perguntou-me se podia me dar um beijo. Pronto! Ela foi simples, rápida e direta. Ri mais uma vez, com mais timidez ainda, esta que sempre foi minha marca registrada. Vendo aquela garota tão determinada a tal ponto de ir pessoalmente em minha casa e dizer tudo aquilo corajosamente, não pude negar-lhe este beijo. 

Mas... Eis que surge a minha frustração! Paula era visivelmente bem mais nova do que eu, além de ser bem mais baixa também. Ela não parecia ter tanta experiência assim com relacionamentos e, pelo que pude prever, com beijos muito menos. Disse a ela pouquíssimas palavras e confirmei que sim, ela teria o beijo que desejava. Neste mesmo instante, ela fecha seus olhos, inclina sua cabeça, estica o pescoço em minha direção e (pior ainda) abre sua boca como quem fosse me dar uma mordida, não um beijo. Assustei-me com aquela visão inusitada e numa fração de segundos pensei comigo mesmo: "Meu Deus! Essa mulher vai me engolir." Pus as mãos em seus ombros e disse-lhe educadamente: "Paula, não precisa ficar tão ansiosa. Deixe as coisas acontecerem naturalmente." Na verdade, meu desejo era de dizer: "Paula, pode fechar um pouquinho sua boca que eu quero ficar aqui do lado de fora." Ela parece ter entendido minha mensagem, mas no momento em que nossos lábios se encontraram seu desejo parecia insaciável. Era uma coisa fervorosa e impulsiva, até parece que aquilo era desejado há uns 50 anos. Quanta sede pra uma jovem só. A sensação de que seria engolido confirmou-se mais uma vez e eu apenas curtia aquele breve momento e ria comigo mesmo, pensando distante: já que é assim, então que assim seja. E tudo fluiu como eu jamais esperava. 

Alguns instantes depois, ela parece ter realizado seu sonho, diz-me muito naturalmente que já precisa ir, abre um sorriso eufórico e sai pela calçada aos pulos como se tivesse ganhado uma rica premiação. Abro um sorriso solitário daquela situação e torno desconfiado ao sofá de casa onde encontro meu ilustre pai em sua incansável leitura. Sento-me ao seu lado e respiro ofegante. Ele move-se em minha direção entendendo o meu suspiro e pergunta: 

- Mulheres?

Respondi-lhe de prontidão:

- Sim,pai, mulheres! 

Ele bate em minhas costas e me diz: 

- Você ainda tem muito o que aprender sobre elas, meu filho!

- Verdade, pai, você tem toda razão.

Daí então, o silêncio reinou entre nós.


domingo, 7 de dezembro de 2014

Clássicos da Literatura Universal 1


A peça teatral “Romeu e Julieta” é mais que uma tragédia de amor. Ela nos traz reflexões e ensinamentos profundos. Seu aspecto atemporal faz com que seja uma obra universal, e isso se justifica, se observarmos o imenso volume de traduções, adaptações, montagens teatrais, versões cinematográficas, artigos e críticas que se tem conhecimento sobre a referida obra. Um livro apaixonante e revoltante ao mesmo tempo. Para mim, esta obra tem um significado muto especial e continuará sendo assim por infinitos anos. Boa leitura!

sábado, 6 de dezembro de 2014

Clássicos da Literatura Universal 2


OS MISERÁVEIS é uma das mais notáveis obras da literatura mundial, expressando a miséria social e a pobreza de espírito de uma época. Além de expressar uma contundente exposição social e política, trafega pela filosofia, história e religião. A obra de Victor Hugo expõe o inferno da desigualdade social há mais de 150 anos, mas que ainda está presentes nestes tempos modernos numa triste realidade. Para o autor, o mundo é o terreno onde se defrontam os mitos, o bem e o mal, a bondade e a crueldade. Uma maravilhosa leitura que já ganhou várias vertentes cinematográficas. É ler para ver... Um abraço!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Atividade Residencial

Na minha curta carreira profissional como educador já me deparei com todos os tipos de perguntas e situações, mas sempre há algo inovador e surpreendente.
Depois de haver ministrado duas aulas seguidas numa mesma turma, apliquei um exercício de revisão da apostila para que os alunos anotassem em seus cadernos. No recado estava escrito assim:

"ATIVIDADE PARA CASA, PÁGs 184 e 185."

Daí então, uma jovem garotinha levanta seu braço para me fazer uma pergunta. Quando eu autorizei, ela disse em voz mediana:

"Professor, o senhor passou uma atividade para CASA, mas eu moro em um APARTAMENTO. Eu devo fazer também este exercício?"

Inevitavelmente, transpassou em mim uma vontade absurda de rir muito. Tive de me conter, mas os outros alunos caíram na gargalhada. Para amenizar a situação, dei-lhe uma resposta seca e fria... "SIM"!

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Dicas de Interpretação Textual


Em muitas provas de língua portuguesa, ou em quase todas elas, a interpretação de texto é fundamental para um entendimento eficiente dos quesitos de cada questão. Na verdade, a interpretação é um requisito importante para o entendimento de toda a prova e não apenas das questões de português. Isso é evidente principalmente no ENEM, que aborda imagens, tirinhas, letras de canções, notícias, opiniões etc, e uma leitura atenta e criteriosa fará com que o candidato tenha um excelente desempenho na leitura e análise dos diferentes textos.
Eis aqui algumas dicas que podem facilitar seu raciocínio nas questões de interpretação textual.

01. Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do assunto;
02. Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa a leitura, vá até o fim, ininterruptamente;
03. Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto pelo menos umas três vezes ou mais;
04. Ler com perspicácia, sutileza, malícia nas entrelinhas;
05. Voltar ao texto tantas quantas vezes precisar;
06. Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do autor;
07. Partir o texto em pedaços (parágrafos, partes) para melhor compreensão;
08. Identificar cada questão ao pedaço (parágrafo, parte) do texto correspondente;
09. Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada questão;
10. Cuidado com os vocábulos: destoa, não, correta, incorreta, certa, errada, falsa, verdadeira, exceto, e outras; palavras que aparecem nas perguntas e que, às vezes, dificultam a entender o que se perguntou e o que se pediu;
11. Quando duas alternativas lhe parecem corretas, procurar a mais exata ou a mais completa;
12. Quando o autor apenas sugerir ideia, procurar um fundamento de lógica objetiva;
13. Cuidado com as questões voltadas para dados superficiais;
14. Não se deve procurar a verdade exata dentro daquela resposta, mas a opção que melhor se enquadre no sentido do texto;
15. Às vezes a etimologia ou a semelhança das palavras denuncia a resposta;
16. Procure estabelecer quais foram as opiniões expostas pelo autor, definindo o tema e a mensagem;
17. O autor defende ideias e você deve percebê-las;
18. Os adjuntos adverbiais e os predicativos do sujeito são importantíssimos na interpretação do texto. Ex.: Ele morreu de fome.
de fome: adjunto adverbial de causa, determina a causa na realização do fato (= morte de "ele").
Ex.: Ele morreu faminto.
faminto: predicativo do sujeito, é o estado em que "ele" se encontrava quando morreu.;
19. As orações coordenadas não têm oração principal, apenas as ideias estão coordenadas entre si;
20. Os adjetivos ligados a um substantivo vão dar a ele maior clareza de expressão, aumentando-lhe ou determinando-lhe o significado.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Versos avulsos 5

Eu hei de debruçar meus olhos
e contemplar-te sorrindo
Hei de falar teu nome e cantar
pelos cantos sentindo.


Hei de criar cicatrizes nas brechas
de meu peito mudo
Hei de enxergar tua face e amar-te
na vida mais do que tudo.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

A Lei da Palmada

(Texto produzido por ocasião de um seminário sobre a Lei da Palmada em Março de 2014)

Autores:
Marcos Leandro de Matos e Matheus Leandro de Matos - Colégio Pólos de Iguatu.

Vamos falar agora de uma lei
De graças, é excelente
Acaba com a palmada
E atormenta o adolescente
E orienta as crianças 
De uma maneira diferente.

A lei da palmada é direcionada
Pra proibir a violência e humilhação
Protegendo a criança e o jovem
De todo tipo de agressão
E punindo os agressores
Responsáveis por qualquer judiação.

Essa lei diverge de opiniões
Desde sua formação
Às vezes leva o adolescente
Para uma discreta omissão
Pois todo jovem precisa
De uma firme educação

Ficava em cima da mesa
Na escola a palmatória
E todos temiam na sala
Ela gravou forte na memória
Mas todo aluno reclamava
A dor que ela causava
Imprimindo a sua história.

Vamos encerrar este cordel
Com muita satisfação
Agradecendo ao professor Lincoln
Por sua orientação
Que nos ensina todo dia
Trabalhando com alegria
E com muita dedicação.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Uma boa dica de leitura


Durante seu discurso de posse, o senador Belizário Bezerra, o mais novo imortal da Academia Brasileira de Letras, cai fulminado no salão do Petit Trianon. A morte de outro confrade, em circunstâncias semelhantes - súbita, sem sangue e sem violência aparente -, traz uma tensão inusitada para a tradicionalmente plácida casa de Machado de Assis: um serial killer literário parecia solto pelo pacato Rio de Janeiro de 1924, e não estava pra brincadeira. Queria ver mortos todos os imortais.

Os "Crimes do Penacho", como a imprensa marrom apelidou a série de assassinatos, despertaram a curiosidade do comissário Machado Machado, um tipo comum na paisagem carioca não fosse o indefectível chapéu-palheta, a pinta de sedutor irresistível e a obstinação em provar que aquelas mortes jamais poderiam ser coincidências. 

Em sua investigação, que serpenteia entre um chope e outro no Café Lamas, uma visita ao teatro São José, uma passada no cemitério São João Batista e outra na Lapa, Machado Machado encontra suspeitos por toda parte: políticos, jornalistas, religiosos, nobres falidos, embaixadores, crupiês, poetas maiores e menores, homens de letras, magnatas da imprensa, alfaiates e atrizes francesas, quase todos com um pendor inescapável para o assanhamento e a malandragem.

Assassinatos na Academia Brasileira de Letras alia o sabor da prosa de Jô Soares a uma pesquisa histórica que reconstitui nos mais ricos e engraçados detalhes um Rio de Janeiro que até agora não estava nos livros: parecia estar apenas na memória de quem o viveu. Jô mistura erudição e humor, texto e imagens, suspense e comédia de costumes - fórmula secreta que, na mão dos grandes autores, garante a marca da melhor literatura.

domingo, 27 de outubro de 2013

Os temas de redação de todas as edições do ENEM

Veja abaixo todos os temas que já caíram na prova de redação do Enem:


1998 - Viver e aprender

1999 - Cidadania e participação social

2000 - Direitos da criança e do adolescente: como enfrentar esse desafio nacional 


2001 - Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar os interesses em conflito? 

2002 - O direito de votar: como fazer dessa conquista um meio para promover as transformações sociais que o Brasil necessita? 

2003 - A violência na sociedade brasileira: como mudar as regras desse jogo 

2004 - Como garantir a liberdade de informação e evitar abusos nos meios de comunicação

2005 - O trabalho infantil na sociedade brasileira

2006 - O poder de transformação da leitura


2007 - O desafio de se conviver com as diferenças

2008 - Como preservar a floresta Amazônica: suspender imediatamente o desmatamento; dar incentivo financeiros a proprietários que deixarem de desmatar; ou aumentar a fiscalização e aplicar multas a quem desmatar

2009 - O indivíduo frente à ética nacional


2010 - O trabalho na construção da dignidade humana


2011 - Viver em rede no século 21: os limites entre o público e o privado


2012 - Movimento imigratório para o Brasil no século XXI


2013 - Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil

Acessado em: http://g1.globo.com/educacao/enem/2013/noticia/2013/10/tema-da-redacao-do-enem-2013-fala-sobre-lei-seca-no-brasil.html

sábado, 26 de outubro de 2013

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Dia das Crianças mais Feliz

No dia 13 de outubro, tive a oportunidade de viver uma das experiências mais significativas da minha vida. Juntamente com alunos do 1° ano avançado do Colégio Pólos de Iguatu, fizemos a entrega de vários brinquedos arrecadados no colégio para as crianças filhas de presidiários da cidade de Acopiara e crianças hospitalizadas no Hospital Regional de Iguatu. 
Indiscutivelmente, ver crianças felizes é a certeza de que Deus se manifesta nas pequenas coisas. Aquilo que não é mais importante para muitas crianças, pode ser a realização de um sonho para tantas outras. Nesta oportunidade, senti-me como um homem mais feliz e realizado.
Abaixo você poderá conferir algumas fotos deste momento tão importante para nós.





















quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Exercitando

Questão 01 - Concordância Verbal


Para que se respeite a concordância verbal, será preciso corrigir a frase:

a) Têm sido levantadas dúvidas sobre a capacidade do sistema de saúde cubano.

b) Será que o sistema de saúde cubano tem suscitado dúvidas sobre sua eficácia?

c) Que dúvidas têm propalado os adversários de Cuba sobre seu sistema de saúde?

d) Têm havido dúvidas sobre a capacidade do sistema de saúde cubano.

e) A quantas dúvidas tem dado margem o sistema de saúde de Cuba?

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O Assalto

(Luís Fernando Veríssimo)

— Alô? Quem tá falando?

— Aqui é o ladrão.

— Desculpe, a telefonista deve ter se enganado, eu não queria falar com o dono do banco. Tem algum funcionário aí?

— Não, os funcionário tá tudo refém.

— Há, eu entendo. Afinal, eles trabalham quatorze horas por dia, ganham um salário ridículo, vivem levando esporro, mas não pedem demissão porque não encontram outro emprego, né? Vida difícil... mas será que eu não poderia dar uma palavrinha com um deles?

— Impossível. Eles tá tudo amordaçado.

— Foi o que pensei. Gestão moderna, né? Se fizerem qualquer crítica, vão pro olho da rua. Não haverá, então, algum chefe por aí?

— Claro que não mermão. Quanta inguinorânça! O chefe tá na cadeia, que é o lugar mais seguro pra se comandar assalto!

— Bom... Sabe o que que é? Eu tenho uma conta...

— Tamo levando tudo, ô bacana. O saldo da tua conta é zero!

— Não, isso eu já sabia. Eu sou professor! O que eu queria mesmo era uma informação sobre juro.

— Companheiro, eu sou um ladrão pé-de-chinelo. Meu negócio é pequeno. Assalto a banco, vez ou outra um seqüestro. Pra saber de juro é melhor tu ligá pra Brasília.

— Sei, sei. O senhor ta na informalidade, né? Também, com o preço que tão cobrando por um voto hoje em dia... mas, será que não podia fazer um favor pra mim? É que eu atrasei o pagamento do cartão e queria saber quanto vou pagar de taxa.

— Tu tá pensando que eu tô brincando? Isso é um assalto!

— Longe de mim pensar que o senhor está de brincadeira! Que é um assalto eu sei perfeitamente; ninguém no mundo cobra os juros que cobram no Brasil. Mas queria saber o número preciso: seis por cento, sete por cento? 

— Eu acho que tu não tá entendendo, ô mané. Sou assaltante. Trabalho na base da intimidação e da chantagem, saca? 

— Ah, já tava esperando. Você vai querer vender um seguro de vida ou um título de capitalização, né? 

— Não...já falei...eu sou... Peraí bacana... hoje eu tô bonzinho e vou quebrar o teu galho. 

(um minuto depois) 

— Alô? O sujeito aqui tá dizendo que é oito por cento ao mês. 

— Puxa, que incrível! 

— Incrive por que? Tu achava que era menos? 

— Não, achava que era mais ou menos isso mesmo. Tô impressionado é que, pela primeira vez na vida, eu consegui obter uma informação de uma empresa prestadora de serviço pelo telefone em menos de meia hora e sem ouvir 'Pour Elise'. 

— Quer saber? Fui com a tua cara. Acabei de dar umas bordoadas no gerente e ele falou que vai te dar um desconto. Só vai te cobrar quatro por cento, tá ligado? 

— Não acredito! E eu não vou ter que comprar nenhum produto do banco? 

— Nadica de nada, já ta tudo acertado! 

— Muito obrigado, meu senhor. Nunca fui tratado dessa... 

(De repente, ouvem-se tiros, gritos) 

— Ih, sujou! Puliça! 

— Polícia? Que polícia? Alô? Alô? 

(sinal de ocupado) 

— Droga! Maldito Estado: quando o negócio começa a funcionar, entra o Governo e estraga tudo! 

domingo, 16 de junho de 2013

FACEBOOK: Rede social ou vício social?

                       Não há nenhuma novidade em dizer que a rede social do Facebook é a maior página de acesso à internet existente hoje no planeta. Pra se ter uma idéia das dimensões que esta rede já alcançou, na atualidade o Facebook possui mais de 900 milhões de usuários, sendo 42% destes localizados no continente americano. Com os avanços tecnológicos, o acesso rápido à internet de qualquer parte do mundo, a comercialização de celulares, tablets, computadores etc, e por conta de tamanha busca na utilização desta mídia social, acabou que um problema foi gerado. As pessoas têm se tornado dependentes da internet, a ponto de terem suas vidas absolutamente expostas para quem quiser ver e conhecer.
                        É visível a constante prática das pessoas verificarem os seus perfis no Facebook de maneira que isso, muitas vezes, vem a prejudicar seus reais afazeres. É só ver e conferir ao seu redor. Há pessoas acessando a internet nas salas de aula em horários inconvenientes, no ambiente de trabalho entre uma ação e outra, nos bancos das igrejas durantes os sermões do padre, nos diálogos com as paqueras, a caminho de casa na volta do trabalho ou da escola, numa roda de amigos, nos restaurantes, e por aí vai. Os artistas da música e apresentadores de televisão são exemplos práticos desse tipo de comportamento. Um minuto antes de subir ao palco para fazer um show, dão aquela “velha” conferida nas atualizações e logo que o show acaba saem correndo para revelar aos fãs como tudo aconteceu. Não há ilegalidade em fazer isso, não é contra a lei, nada há de irregular. O problema é que o vício no Facebook pode ser uma pedra no caminho de suas atividades cotidianas. É muito mais prático construir relacionamentos online do que os relacionamentos pessoais. Isso é óbvio.
                        Um estudo realizado pela empresa norte-americana Internet Time Machine revela que o vício na rede social do Facebook já tem mais procura por soluções do que a dependência de sexo ou cigarro. Em países como China, Taiwan e Coreia do Sul, o “Transtorno de vício em internet” já é aceito como um diagnóstico psicológico. Possivelmente estes termos já estejam em evidência nos consultórios de psicologia de nosso país. De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade de Bergen, na Noruega, as principais vítimas na dependência em Facebook são as mulheres e os jovens.
                        É hipocrisia dizer que, para nós usuários, não é satisfatório ver uma notificação de vermelho sobre aquele globo azul no alto da tela. O detalhe está em você conferir suas notificações uma vez por dia, ou mais, e em conferir uma vez a cada cinco ou dez minutos. Quanto mais coisas expomos, mais corremos o risco de sermos criticados ou elogiados, curtidos ou compartilhados, e para tanto, é preciso cautela, pois podemos ser alvo de zombarias sem nem ao menos termos noção do que se passa em nosso meio. Você pode estar sendo alvo de bandidos da internet, de pessoas invejosas, de corruptos, pedófilos, etc. Muita coisa boa rola nas páginas e postagens do Facebook, mas muita coisa ruim também está lá.
                        Quero deixar bem claro que não há nada de errado em usar o Facebook (até porque eu também o faço), mas é preciso que saibamos usá-lo de modo coerente sem nos tornarmos escravos desta mídia que a cada dia cresce mais, aumenta mais os seus lucros, e nós que permanecemos sempre na mesma vida de sempre, expondo as nossas intimidades a cada segundo que passa. Encerro minhas palavras citando uma frase popular da qual passei toda a minha infância e adolescência ouvindo o meu pai dizer assim: “Filho, tudo demais é veneno”. Fica a dica!

CURSO REDIGIR IGUATU

CURSO REDIGIR IGUATU
Curso específico de Língua Portuguesa e Redação para ENEM, concursos e outros vestibulares.