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terça-feira, 25 de setembro de 2018

Foi-se o tempo


Escrito pela professora Helena Basilissa

Aos 28 anos, Luís Otávio já era um grande empresário conceituado na cidade. No auge de sua juventude, vivia para o trabalho, repleto de compromissos e responsabilidades. Trabalhando sem parar, cheio de entrevistas e viagens, alavancava seus negócios construindo até mesmo uma carreira de sucesso internacional. Amigos? Romance? Diversão? Não. Ele não teria tanto tempo a perder, afinal, não teve uma vida fácil e precisava compensá-la. Isolou-se. Trabalhou. Construiu um império faraônico.

"Que exemplo! Tão jovem e tão rico... Daqui a pouco não precisará mais trabalhar!" Expressavam as pessoas admiradas com tamanha jovialidade e riqueza.

Entre seus romances passageiros, pensara em construir uma família, mas nenhum conseguiu marcá-lo profundamente, não podia dedicar-se aos amores que lhe apareciam. "Ainda não é tempo. Um dia, quem sabe..." Era ocupado demais para fazer planos e viagens que não fossem a trabalho. Não teve muitos momentos de lazer e não se encontrou com os velhos amigos para o churrascão. Ainda não tinha tempo. Faltar? Nem pensar! Um dia parecia pouco para tantos afazeres: viagens inadiáveis; tarefas obrigatórias; uma falta no trabalho e uma grande produção estaria perdida. O prazer lhe fugia à mente. Ele não tinha tempo. 

O mesmo tempo que lhe fez refém, passou, castigou. Luís Otávio tinha agora 60 anos com uma fortuna que lhe garantiria o resto da vida. Luís tinha a fortuna, apenas. Olhou para trás e viu que não tinha tempo a perder, mas perdeu todo o tempo. Esqueceu-se que o relógio não para e os dias não podem ser congelados, o trem da vida segue quer queira ou não. Os amigos viajaram, hoje têm muitas experiências para contar. Os amores antigos casaram, hoje têm famílias para cuidar. Sua única família se foi e agora ele estava sozinho.  Arrependeu-se, desejou que seus dias tivessem mais horas e que pudesse recuperar tudo aquilo que não viveu, que seu suor e suas noites de sono perdidas pudessem trazer uma recompensa. Lhes trouxe apenas o dinheiro, que agora era sua única companhia e história para contar.
"Ainda não é tempo". Mas já foi.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Mal incurável


Era ocasião de um fim de tarde numa véspera de fim de semana. Meu subconsciente martirizava-me com questionamentos que não me cabiam resolvê-los. Pus-me a folhear páginas de revistas quaisquer assentado muito silenciosamente no banco de uma praça. Nos labirintos de meu cérebro corriam lembranças de condições, situações, frases, ações e gestos do passado que há muito me causaram profunda dor. Porém, meu coração gritava aos berros com máxima perspicácia que é preciso ter paciência. 

Ali mesmo, compenetrado em meus afazeres psicológicos, deparei-me com a imagem de duas jovens garotas vestidas com fardamento escolar e portando às mãos seus materiais. Na condição de homem velho em que me encontro, já nem esperava que algum gesto de gentileza dali se manifestasse. Para minha surpresa, as jovens moças educadamente se ofereceram a fazer-me companhia. Tive receio de que aquela cena soasse desagradável para uma sociedade que em tudo vê maldades, mas aceitei cordialmente. 

A princípio as garotas me fizeram muitas perguntas sobre constituição familiar, vida profissional, conhecimento de mundo e outras tantas mais. Comecei a adentrar naquele papo, percebendo que elas manifestavam grande interesse no que eu dizia. Até que chegaram ao ponto crucial de minhas aflições mentais. Uma delas – com aparência de quem experimentara uma relação amorosa mais profunda – afirmou que a colega ao lado sofria horrores pela situação de um intenso bem-querer e sentia-se possessa de ciúmes. Ri com largo riso frouxo. Suspirei com farto baforejo. Tremi com delicado disfarce. 

Arrematei que o amor é a mais linda dádiva proporcionada ao frágil organismo humano; que isso exigia de nós renúncias e valores os quais muitas vezes fogem de nosso domínio. Vi um leve semblante de alívio sob o olhar da garota tímida e pacata que me olhava com magistral admiração. Por fim, ambas questionaram-me sobre o que fazer diante de tal situação e eu, moderadamente, fiz questão de citar o memorável Miguel de Cervantes, dizendo-lhes: “Quando tal enfermidade (o ciúme) domina a alma enamorada, não existe ponderação que a sossegue, nem remédio que a possa curar”. 

Abraçaram-me timidamente e retiraram-se desconsoladas. Tornei a ler! 

domingo, 29 de abril de 2018

Trôpego


Caminhava a passos trôpegos por uma alameda de terra batida cercada por uma vegetação rasteira em pleno crepúsculo de um dia qualquer. Havia uma energia de solidão e obscuridade no ar. Desmedido, contava para mim mesmo o quanto a aflição de meus pensamentos inquietam o espírito e agem sorrateiros dentro do meu cérebro, processando aquilo que é bom e o que eu nem se é. Enfim... Estava lá mergulhado naquele silêncio observando certos detalhes absolutamente sem sentido quando, de súbito, ela me aparece num vislumbre incomum. Era dádiva de beleza e contemplação, manifestação viva da própria poesia da alma. Surgiu lentamente e trouxe consigo uma possessividade de vibrações. O peito calou, a boca emudeceu, o corpo refletiu, o clima revirou. Bateu-me um medo inicialmente, mas ali mesmo fui capaz de me doar como jamais havia feito. Então caí fundo, atendi ao seu chamado. Ela a mim nada correspondia, mas emanou seu raio de luz que me fez transcender o que dentro em mim se acumulava. Forças eu já nem tinha mais para resistir. Pus-me a deleitar meus embrejados olhos para ela até que de mim desaparecesse também solitária e eu apenas clamei seu nome naquela que foi a única palavra balbuciada de meus lábios: LUA. 

domingo, 8 de abril de 2018

Emudeço e só

Há instantes na vida que nos furtam a capacidade das palavras, sejam momentos de entusiasmo ou de frustração. Elas simplesmente desaparecem ou são incapazes de nos fazer manifestar aquilo de que o nosso coração está cheio. Por vezes até queremos esboçar alguma reação impensada mediante o uso de alguma sentença, mas ela nem assim será capaz de denotar o que de fato nos acomete. Para tanto, mesmo frente às circunstâncias que se desenrolam, eu emudeço e só!

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Mnéia


Na nossa amada Grécia tão bela, ‘mnéia’ ou ‘mnéme’ são expressões muito comuns quando se sente de forma árdua a falta de algo ou alguém. Tomei uma drástica decisão de trancar a minha amargurada alma dentro de um profundo silêncio. Vi, senti, li, ouvi. Busquei tudo que me tentasse elevar o vigor, mas não foi o suficiente. Estou sendo vítima de uma devastadora pressão de pensamentos aflitos. Culpa minha? Creio que sim. Na antiga Portugal dos navegantes, eles eram acometidos de uma saudade doentia. Dentro das embarcações imaginavam e sentiam mil absurdos capazes inclusive de lhes gerar doenças irreversíveis, para as quais só lançar-se ao imenso mar lhe era a cura. Talvez seja esse um grande devaneio de minha parte.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Vozes


Diabinhos pequenos vestidos de vermelho se põem próximo aos meus ouvidos para me encher de pensamentos castigadores da alma. Eis o meu martírio, castigo e agonia. Em meio a uma madrugada silenciosa o meu espírito grita por socorro para que seja acudido de tamanha aflição. Quanto mais o pensamento trabalha, muito mais este pequeno diabo me enche de coisas a desagradar o nobre e pulsante coração. É luta, combate, guerra... Dói, corrói, maltrata. Mas qual a necessidade disso? Não sei nem consigo explicar. Simplesmente nasce, flui e dilacera o peito. E não podes simplesmente parar, reverter a negatividade em lembranças positivas? Não é tão fácil esta missão. Mesmo que assim quisesse, eu nada poderia fazer para evitar, pois és fato recente na brevidade destes dias e nada do passado eu posso mais apagar. Tange este diabo para longe, não podes fazer isso? Tento, o desafio é árduo e doloroso, porém sigo firme neste combate. A vitória acontecerá e estas implacáveis e desastrosas vozes hão de se calar de vez.

domingo, 22 de outubro de 2017

Romântico instante


Era uma ensolarada tarde de sábado no Arizona, Estados Unidos. Marx trafegava com absoluta liberdade em seu Mustang vermelho, na companhia da jovem Lucy. Ambos estavam embebecidos num passeio extremamente fascinante. Um bom papo, maravilhosas canções, uma vista fascinante... Era a conspiração do destino para um momento de puro romantismo.
Por reflexos de um breve momento, Lucy cai em sono tranquilo, enquanto seu amado motorista particular dirigia em máximo êxtase de prazer. Quando a belíssima garota desperta de seu sono, o carro já estava parado à beira de um grande abismo. Ao descer do veículo ela dá de cara com uma espetacular visão do Grand Canyon e o seu Marx sentado, pensativo e silencioso, sobre o capô do carro a ouvir o som do vento pairando sobre a paisagem divina. Ela umedece os olhos em lágrimas e se move em sua direção.
Lucy pergunta ao nobre homem o que ali faziam e ele lhe silencia os lábios com a ponta do dedo, delicadamente, pedindo que apenas se envolvesse em profunda emoção. Assim ela o obedeceu, retirou a jaqueta marrom que usava, tomou seus braços em volta do frágil corpo e se abandonou no silêncio de uma circunstância cinematográfica. Marx, em gestos simples, beijava-lhe o canto da orelha e dizia palavras de um poder descomunal. 
Inevitavelmente, ali mesmo, ambos se deleitaram de um amor inigualável em total entrega, no mais puro isolamento, tendo como contemplação a linda imagem de um pôr do Sol que ao longe se escondia parecendo não querer ver tão belo momento acabar. 
Foi um amor breve, único e delirante. Os apaixonados se beijam e novamente tornam ao carro envoltos num sorriso que não lhes cabia na face. O potente Mustang tem seus motores acionados e parte deslizando pela estrada adentro como se sua leveza fosse o resultado de um extravaso da alma de seus condutores. Assim, o Sol se põe, a Lua se manifesta brilhante, Lucy adormece sorrindo e Marx dirige seu carro transbordando de paixão.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Relato Sombrio da Alma


A minha alma adoece em síndromes constantes de pensamentos aflitos. Eles chegam repentinamente, fazem uma balbúrdia dentro de mim, alcançam a profundidade de minha alma e lá deixam seus rastros de loucura e insanidade. Vêm de todos os lados causando destruição a cada centímetro por onde se infiltram. Os meus pensamentos não me dão trégua; chegam a silenciar por momentos, mas eclodem com fervor quando eu menos necessito. Suas fatais consequências atingem o resto do meu organismo que, mesmo rebatendo, não consegue se livrar da dor que lhe foi gerado. A alma grita em timbres medonhos o seu canto de melancolia, mas nada nem ninguém a conseguem ouvir. Retraído e amargurado eu me recolho dentro de mim em um silêncio latente.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Bela de Encantos Adormecida

Era dia de grande festa no palácio da jovem Bela. Todos ao seu redor celebravam com entusiasmo a satisfação de terem a princesa à frente da administração de toda a propriedade real. Ela era muito jeitosa no trato com todos, sempre de sorriso aberto e farto no lisonjeio de suas determinações. Seus cachos dourados soltos sobre o simples vestido de cetim azulado com ornamentos em pérolas tornavam-na irresistivelmente encantadora. Sua posição hierárquica privilegiada não a fazia em nenhum sentido superior aos outros. Ela era de uma simplicidade admirável.
    Mas havia algo na princesa Bela que a entristecia por raros instantes e que lhe confundia o coração. A ausência de seu amado gerava muitos questionamentos em sua cabeça. O Bom Moço, a quem o destino proporcionou-lhe a ocasião de conhecer num simples debate sobre assuntos políticos, acabou por encantar a ambos de forma imensurável. No entanto, a distância entre eles e a falta de permissividade para um diálogo livre tornava tudo muito complexo.
   Acontece que, no exato dia em que a princesa celebrou seu natalício, o Bom Moço resolveu não aparecer no palácio e isso acabou gerando no coração de Bela uma profunda mágoa, ocasionada pela saudade que em seu peito já se aglomerava. Nem sabia ela que o seu amado corria sérios perigos e que a sua imagem tão cativante não lhe saía da cabeça um instante sequer. O jovem líder combatente travava uma árdua batalha num campo de guerra do qual ele não sabia que destino teria.
     Pela falta de informações, já muito tarde da noite, com o coração cheio de encantos na expectativa de tomar para si aquele abraço envolvente, a princesa Bela determinou aos seus melhores soldados que lhe vigiassem durante o sono e que eles não permitissem que ninguém atrapalhasse sua hora de repouso intenso. De prontidão, confiante nas ações de seus melhores soldados, ela pôs-se a dormir depois de alguns goles de vinho. Seu sono foi fatal, quase que por um desmaio ela trancou seus olhos e seu coração amargurados de tanta saudade.
     O Bom Moço vivia um grave conflito interno entre o ficar e o partir. Sua razão determinava-lhe que ficasse e continuasse a luta intensamente, resistindo o máximo que pudesse para alcançar de vez a vitória. Porém, as emoções judiavam do jovem homem apaixonado e num reflexo de uma profunda saudade que avassalou seu coração, ele determina ao seu fiel parceiro de combate que continue a luta sem ele, não havia mais tempo a perder. Ele precisava reencontrar a linda mulher que remodelou seus sentimentos. Tomou o cavalo estrada a fora rumo ao palácio da princesa Bela.
     Chegando lá pela manhã do dia seguinte, correu com desespero em busca de encontrar prontamente a jovem garota, mas Bela estava ainda adormecida profundamente e não se dava conta de que seu amado à porta batia determinado a vê-la. Ele entrou no palácio com a habilidade e audácia de um líder de guerra e encontrou como sentinelas os mais fortes soldados de que Bela dispunha para proteger-lhe. Tentou em vão atravessar a barreira de soldados que protegiam a jovem princesa. Eles tinham a determinação de não permitirem a intromissão de ninguém no quarto do palácio real, em ocasião nenhuma.
      Acontece que o Bom Moço ruía em ansiedade e depois de esperar fora do castelo por longos instantes, resolveu por si só descobrir o que ali dentro acontecia. Usando-se de suas habilidades de combate, foi escalando pedra por pedra da parede do palácio até que chegasse ao quarto da princesa Bela. Ela ainda dormia em profundo sono, imóvel e intocável. Ele aproximou-se cautelosamente e, em estado de graça, pôs seus dedos por entre os cabelos da princesa segurando sua cabeça delicadamente enquanto a observava com magistral admiração. Ela absolutamente nada correspondia.
      O Bom Moço curvou-se em sua direção e beijou-lhe apaixonadamente os lábios adocicados e gélidos da jovem garota. Ela estava irresoluta, não teve a menor reação esboçada para que o coração encantado do guerreiro se acalentasse. Tentou uma segunda vez beijar-lhe, mas ainda assim ela a nada correspondia. O coração do homem bom começou a preocupar-se com o que ocorrera. Ele estava possuído de amor por aquela mulher. Queria tê-la para si demasiadamente.
      Foi quando teve a inspiração de sussurrar em seu ouvido alguns versos românticos de um clamor amoroso irreal. Espontaneamente lhe dizia de olhos fechados as mais belas palavras já ditas por um humano coração apaixonado. Ainda com os olhos travados e umedecidos, deleitava-se em profunda poesia recitada no palco do seu coração para a plateia mais perfeita que já vira, sua linda princesa Bela.
Depois de tantos clamores, de muitos dizeres sinceros, com o olhar banhado em lágrimas, o coração ritmado intensamente pelo fogo do amor que lhe dominava, ele entreabre os olhos e se depara surpreendentemente com o olhar atencioso de Bela que há muito já acordara e silenciosamente ouvia a declamação de seus versos românticos. Ele gaguejava palavras na tentativa de demonstrar a surpresa por tê-la acordado, mas ela não permite. Põe seu dedo sobre os lábios do Bom Moço como forma de lhe pedir para que não diga mais nada. Bela puxa o jovem homem para sua cama e juntos emolduram a mais encantadora relação de amor que já tiveram.

Momentos depois, ela abre as portas do quarto real para a surpresa de seus melhores soldados que veem diante de si a imagem do Bom Moço de mãos dadas com a princesa. De súbito, todos se põem a pedir desculpas, mas Bela não permite que eles terminem, ao contrário, ela os agradece vivamente por terem sido responsáveis pela produção do maior e melhor momento de toda a sua vida: a manifestação do mais puro amor.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

A TATUAGEM


Lá pelas tantas de 1990 e alguma coisa, no ápice de minha magistral adolescência, o rock in roll circulava em minhas veias com uma intensidade tão fervilhante que me fazia perder o senso das coisas. Todos os tipos de sons pesados e distorcidos, de guitarras eufóricas, camisetas com caveiras, gestos obscenos, palavrões, tudo isso eu resolvi aderir para meu novo estilo de vida. Para mim, isso era fantástico, porque por mais ridículo que eu parecesse ser aquilo tudo fazia eu me sentir feliz, importante, notável (ou não).

Meu visual era um tanto quanto exótico. Eu era absurdamente magro, feio de dar “nó em pingo d’água”, usava umas roupas extremamente folgadas, mas meu comportamento era comum para um jovem adolescente daquela época. Meu pai era meio ressabiado com aquela minha postura punk, ele que sempre foi muito criterioso na criação de seus dois filhos. E é exatamente nesta hora em que entra o personagem desta narrativa, meu estimado pai, tão adorável em suas respostas.

Certa vez, fui ao show de uma banda de rock em outra cidade aqui perto. Senti na pele aquela adrenalina das canções que me envolviam fervorosamente e fui acometido de uma razoável loucura de imaginar mil coisas loucas para minha vida. Entre esses absurdos estavam: usar brinco e fazer uma tatuagem. Ainda na casa de shows, já depois do concerto daquela banda incrível, refleti em instantes se aquilo valeria de fato a pena! Foi um pensamento muito ligeiro, porque ao lembrar-me do cinturão, das chinelas, das mãos de meu pai entrando nos meus couros eu mudei de ideia velozmente. Não queria jamais tomar aquela burra decisão sem sua autorização. E aí decidi conversar com ele sobre tal fato.

De volta a minha cidade, peguei-o em um momento resguardado durante o almoço, ele sentado na cabeceira da mesa muito bem arrumado para ir trabalhar. Resolvi manter uma distância de segurança e fui sentar do outro lado da mesa, caso algum objeto voador não identificado resolvesse vir na minha direção. Meu estimado pai estava saboreando sua comida, olhando para o prato e eis que esta figura que vos fala resolve instigar a fera. Disse-lhe:

- Pai! O senhor sabe, né, que eu fui a um show de rock no Crato?

- Hum...

- Pois é! Foi massa...

- Hum...

- Aí eu tava pensando umas coisas aqui...

- Hum...

- Não queria fazer nada sem a opinião do senhor!

- Hum... (Era a única coisa que ele me respondia)

- Então pai, eu acho que vou fazer uma tatuagem! (Pêi bufo, na lata!)

Foi então que ele parou de mastigar a comida e minhas pernas começaram a tremer. Olhei na sua direção esperando qual seria sua reação. Ele pediu para que repetisse o que havia dito. Minha voz já não era a mesma, passei a afinar a voz com medo da explosão de emoções daquele homem em hora de descanso. Disse-lhe mais uma vez que queria fazer uma tatuagem e, simplesmente, murchei.

Meu estimado pai unicamente arrastou o prato um palmo a sua frente, deu um suspiro ofegante como o de um urso na floresta, olhou-me como quem quisesse me liquidar de vez, afundou a cabeça do dedo no vidro da mesa e me disse em voz amedrontadora:
            
- Olhe aqui, seu cabra! Se você fizer uma tatuagem, eu vou lhe deitar no chão e tirar esse desenho com uma enxada de capinar roça, você me entendeu?
            
Sabe o que eu respondi? “Hum...!” Estava nem doido de discordar. Ele continuou:
            
- E tem mais, se passar pela sua cabeça a ideia de usar brinco eu arranco até sua orelha junto! Você tá me entendendo?
            
- Humrum!!!!
            
Ele se levantou da cadeira e eu já estava na certeza de que aquele prato vinha no meu rumo. Já estava pensando no macarrão pregado nos meus óculos, o feijão no meu nariz, o pedaço de ovo no meu cabelo. Mas não! Meu estimado pai ainda tinha algo a me dizer:
            
- Maaaaaaas... Olhe aqui! No dia em que você completar dezoito anos, eu lhe dou toda autonomia do mundo para você fazer o que quiser. Até lá você é meu filho e está sob o meu regimento, tá entendendo, seu cabra?
            
- Humrum! Estou sim...
            
Retirou-se do ambiente sem terminar de almoçar e sem arremessar o prato em mim, que obviamente ele não faria isso, porque na verdade aquilo era uma singela manifestação de cuidado e zelo de um pai por seu filho.
            
No dia 16 de novembro de 2012, dia em que completei 18 anos, ele chegou até mim para me parabenizar e disse entre tantas palavras que a partir dali eu poderia fazer de minha vida o que quisesse, porque o papel dele foi cumprido “como manda o figurino”. De lá para cá, já se passaram quase quatorze anos e ainda não tive a coragem de desobedecer as determinações de um homem que dedicou a sua vida em prol da construção da dignidade de seus filhos!
            
Esta história é para que o mundo conheça Francisco Célio de Lima, o meu “estimado pai”!


  

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Vai me engolir!

O relógio de parede da sala registrava 7:35 da noite, a televisão fazia seus anúncios para o telejornal que logo se iniciaria, meus familiares distraídos com suas ocupações e eu havia acabado de recolher os pratos do jantar e colocado na cozinha. Tive um dia de aula exaustivo, a fadiga já dominara meu corpo e o meu espírito. Nada muito exagerado para um jovem de dezessete anos, mas o suficiente para manter-me preso dentro de casa numa noite de quarta-feira.


Sento-me na poltrona da sala na companhia ilustre do meu pai. Conversamos algumas coisas muito rapidamente, ele pôs-se a ler sua revista Seleções Readers Digest e eu apenas descansava um pouco para logo mais tarde entrar em meu processo sagrado de hibernação. Mas a campanhia toca e meu ilustre pai não esboça a menor reação e continua sua leitura. Ela torna a tocar. Tive a obrigação de deslocar meu pesado corpo cansado para abrir aquele velho e sujo portão de madeira. Da porta de casa até o portão do muro eram cerca de 4 metros que mais pareciam 4 quilômetros. Tentei visualizar algo por entre as brechas da madeira, mas nada vi além de uma sombra.

Vagarosamente abro o portão e me deparo com a presença de uma jovem garota com um rosto bem familiar, mas que não sabia de quem se tratava. Ela me olha com encantamento e cita o meu nome desejando-me boa noite. Respondi-lhe educadamente e perguntei o que desejava, de prontidão a jovem moça diz querer conversar comigo em particular. Achei aquilo meio esquisito, mas obviamente não rejeitei o seu convite e logo tornei para dentro de casa, vesti uma camiseta, passei um pouco de perfume e esqueci até que estava cansado. Meu pai permanecia imóvel, mas perguntou-me aonde eu ia, respondi-lhe que saia para resolver umas "paradas acolá". Ele fez um ar de suspeito e continua a leitura.

Chegando de volta à calçada percebi que a menina parecia apreensiva e ansiosa por alguma coisa. Dirigimo-nos à lateral de minha residência, ficamos um pouco mais reservados e perguntei-lhe seu nome. Ela diz com voz singela: Paula. Disse-me que eu não a conhecia, mas que ela me observava há muito tempo e que sempre foi apaixonada por mim. Esta notícia me surpreendeu e causou-me um riso tímido e encabulado. Ouvi atenciosamente seu desabafo por um rápido instante até que ela me faz um pedido nada inesperado. Perguntou-me se podia me dar um beijo. Pronto! Ela foi simples, rápida e direta. Ri mais uma vez, com mais timidez ainda, esta que sempre foi minha marca registrada. Vendo aquela garota tão determinada a tal ponto de ir pessoalmente em minha casa e dizer tudo aquilo corajosamente, não pude negar-lhe este beijo. 

Mas... Eis que surge a minha frustração! Paula era visivelmente bem mais nova do que eu, além de ser bem mais baixa também. Ela não parecia ter tanta experiência assim com relacionamentos e, pelo que pude prever, com beijos muito menos. Disse a ela pouquíssimas palavras e confirmei que sim, ela teria o beijo que desejava. Neste mesmo instante, ela fecha seus olhos, inclina sua cabeça, estica o pescoço em minha direção e (pior ainda) abre sua boca como quem fosse me dar uma mordida, não um beijo. Assustei-me com aquela visão inusitada e numa fração de segundos pensei comigo mesmo: "Meu Deus! Essa mulher vai me engolir." Pus as mãos em seus ombros e disse-lhe educadamente: "Paula, não precisa ficar tão ansiosa. Deixe as coisas acontecerem naturalmente." Na verdade, meu desejo era de dizer: "Paula, pode fechar um pouquinho sua boca que eu quero ficar aqui do lado de fora." Ela parece ter entendido minha mensagem, mas no momento em que nossos lábios se encontraram seu desejo parecia insaciável. Era uma coisa fervorosa e impulsiva, até parece que aquilo era desejado há uns 50 anos. Quanta sede pra uma jovem só. A sensação de que seria engolido confirmou-se mais uma vez e eu apenas curtia aquele breve momento e ria comigo mesmo, pensando distante: já que é assim, então que assim seja. E tudo fluiu como eu jamais esperava. 

Alguns instantes depois, ela parece ter realizado seu sonho, diz-me muito naturalmente que já precisa ir, abre um sorriso eufórico e sai pela calçada aos pulos como se tivesse ganhado uma rica premiação. Abro um sorriso solitário daquela situação e torno desconfiado ao sofá de casa onde encontro meu ilustre pai em sua incansável leitura. Sento-me ao seu lado e respiro ofegante. Ele move-se em minha direção entendendo o meu suspiro e pergunta: 

- Mulheres?

Respondi-lhe de prontidão:

- Sim,pai, mulheres! 

Ele bate em minhas costas e me diz: 

- Você ainda tem muito o que aprender sobre elas, meu filho!

- Verdade, pai, você tem toda razão.

Daí então, o silêncio reinou entre nós.


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O Assalto

(Luís Fernando Veríssimo)

— Alô? Quem tá falando?

— Aqui é o ladrão.

— Desculpe, a telefonista deve ter se enganado, eu não queria falar com o dono do banco. Tem algum funcionário aí?

— Não, os funcionário tá tudo refém.

— Há, eu entendo. Afinal, eles trabalham quatorze horas por dia, ganham um salário ridículo, vivem levando esporro, mas não pedem demissão porque não encontram outro emprego, né? Vida difícil... mas será que eu não poderia dar uma palavrinha com um deles?

— Impossível. Eles tá tudo amordaçado.

— Foi o que pensei. Gestão moderna, né? Se fizerem qualquer crítica, vão pro olho da rua. Não haverá, então, algum chefe por aí?

— Claro que não mermão. Quanta inguinorânça! O chefe tá na cadeia, que é o lugar mais seguro pra se comandar assalto!

— Bom... Sabe o que que é? Eu tenho uma conta...

— Tamo levando tudo, ô bacana. O saldo da tua conta é zero!

— Não, isso eu já sabia. Eu sou professor! O que eu queria mesmo era uma informação sobre juro.

— Companheiro, eu sou um ladrão pé-de-chinelo. Meu negócio é pequeno. Assalto a banco, vez ou outra um seqüestro. Pra saber de juro é melhor tu ligá pra Brasília.

— Sei, sei. O senhor ta na informalidade, né? Também, com o preço que tão cobrando por um voto hoje em dia... mas, será que não podia fazer um favor pra mim? É que eu atrasei o pagamento do cartão e queria saber quanto vou pagar de taxa.

— Tu tá pensando que eu tô brincando? Isso é um assalto!

— Longe de mim pensar que o senhor está de brincadeira! Que é um assalto eu sei perfeitamente; ninguém no mundo cobra os juros que cobram no Brasil. Mas queria saber o número preciso: seis por cento, sete por cento? 

— Eu acho que tu não tá entendendo, ô mané. Sou assaltante. Trabalho na base da intimidação e da chantagem, saca? 

— Ah, já tava esperando. Você vai querer vender um seguro de vida ou um título de capitalização, né? 

— Não...já falei...eu sou... Peraí bacana... hoje eu tô bonzinho e vou quebrar o teu galho. 

(um minuto depois) 

— Alô? O sujeito aqui tá dizendo que é oito por cento ao mês. 

— Puxa, que incrível! 

— Incrive por que? Tu achava que era menos? 

— Não, achava que era mais ou menos isso mesmo. Tô impressionado é que, pela primeira vez na vida, eu consegui obter uma informação de uma empresa prestadora de serviço pelo telefone em menos de meia hora e sem ouvir 'Pour Elise'. 

— Quer saber? Fui com a tua cara. Acabei de dar umas bordoadas no gerente e ele falou que vai te dar um desconto. Só vai te cobrar quatro por cento, tá ligado? 

— Não acredito! E eu não vou ter que comprar nenhum produto do banco? 

— Nadica de nada, já ta tudo acertado! 

— Muito obrigado, meu senhor. Nunca fui tratado dessa... 

(De repente, ouvem-se tiros, gritos) 

— Ih, sujou! Puliça! 

— Polícia? Que polícia? Alô? Alô? 

(sinal de ocupado) 

— Droga! Maldito Estado: quando o negócio começa a funcionar, entra o Governo e estraga tudo! 

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A preguiça não deixa


Tcheco e Lucas são grandes amigos, estudaram no mesmo colégio a vida inteira, mas há seis anos eles não se viam. Por acaso, os dois encontram-se pelas ruas da cidade e começam a bater papo:
- Amigo Tcheco! Como está você, cara? Quanto tempo...
- Eu vou bem, graças a Deus.
- Vejo que você está bem de vida...
- Que nada! Apenas consegui alcançar meus objetivos de vida e hoje vivo feliz e tranquilo.
- Que bom! Por onde tem andado?
- Moro numa cidadezinha do interior da Bahia.
- Trabalha por lá?
- Sim. Sou o promotor de justiça daquela cidade.
- Nossa... Você merece, sempre foi muito dedicado aos estudos.
- Verdade. A advocacia era o meu sonho de criança.
- Seus esforços valeram à pena.
- Confesso que não foi fácil, mas não me arrependo de nada.
Com o desenrolar da conversa, Lucas começa a sentir-se envergonhado de sua situação e demonstra desinteresse pela conversa.
- Mas Lucas, e você? O que tem feito da vida?
- No momento nada.
- Como assim? Faculdade, trabalho, casamento, nada disso ainda?
- Infelizmente não. Aquela minha preguiça acabou me custando muito caro. Conclui os estudos, não consegui aprovação na universidade, meu pai exigiu que eu trabalhasse para ajudá-lo, senti-me pressionado e fugi de casa.
- Que é isso, irmão? E por que você não recomeça e dá a volta por cima?
- Tenho preguiça... Estudar não é o meu forte.
- Mas hoje é o que pode nos assegurar melhores condições de vida.
- É, mas a preguiça não me permite.
- E o trabalho? Por que você não tenta um emprego? Vai dizer que tem preguiça?
- Sei lá! Acho que sim.
- Rapaz, não faça isso com a sua vida não. A preguiça é um atraso de vida.
Lucas aparenta não gostar da colocação do colega e retruca:
- Deixe que com minha vida me preocupo eu...
- Tudo bem! A vida é sua, faça dela o que quiser!  Vou nessa. Até mais...
- Beleza! Até... Mas antes de você ir embora, me arruma aí dois reais pra eu comprar uma carteira de cigarros?
E Tcheco responde em tom de raiva:
- Infelizmente não vou fazer isso, porque não quero ser cúmplice de estar alimentando a preguiça de um jovem tão saudável e inteligente como você.
- Pois desapareça daqui antes que eu faça coisa pior...
E partiu-se assim a amizade de um jovem bem estruturado na vida e de um homem sem leis e desestimulado pela falta de coragem.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Metanoia


Pesadelo! Desespero e aflição... Não consigo chegar ao meu objetivo. Longe, bem longe eu avisto um feixe de luz que reflete em meus olhos e chama pelo meu nome com uma voz angustiada por ver fraquejar aquele a quem tanto ama. Sinto-me perto e longe ao mesmo tempo. Acho fácil, mas confesso que é difícil. Valorizo-me, porém sou um condenado a fracassar. Caminho a passos lentos por uma estrada de areia cheia de pedras, cacos de vidro, espinhos e galhos secos. 

Começo meu trajeto de pé, firme, ereto. Logo me vem um formigamento nas pernas, uma inquietude penetrante e já perco as forças. Caio de joelhos! Tento prosseguir (e dessa forma já será bem mais árduo), mas o meu corpo ferve como larva ardente à boca de um vulcão e, de cara, ponho-me a descansar. Quero continuar e preciso fazer isso ou verei o meu fim e minhas visões tornar-se-ão verdade. Agora, perdido nos meus ideais, com vontade de deixar tudo pela frente e voltar, sigo engatinhando. No caminho me aparece uma enorme quantidade de mulheres. Inúmeras, de todas as qualidades, de todos os jeitos, casadas, solteiras, velhas, novas, crianças, muitas... Mas, um pouco à frente um anjo brilha singelo ao alcance da minha vista e isso me anima um pouco. No entanto todas aquelas mulheres agarram-me e puxam-me para trás, deixando-me cansado ao dobro. E isso me desmotiva por inteiro. Pronto! É hora de desistir. Já não dá mais para insistir. 

Joelhos rasgados, mãos calejadas, um peso na consciência, uma fadiga corporal, os olhos cansados, um coração dilacerado, um homem e sua própria miséria. A luz é meu clímax. O alto daquele brilho é o ponto de chegada. Vejo que muito andei e que pouco fiz. Mas quero continuar. No fundo eu acho que devo continuar.

De pé não dá mais. De joelhos é impossível. Engatinhando, muito pior. O jeito é seguir rastejando como tartaruga que carrega o seu próprio peso lentamente. É assim que vai ser. Continuo minha peleja, agora com o peito ferido externa e internamente. Nem sei se meus órgãos vitais irão suportar. O anjo ainda olha-me com o mesmo amor de sempre. Isso é incrível e me incomoda às vezes. Mas à luz eu tenho que ir. Chuva, tempestades de areia, falta de companheirismo, solidão, fome, sede, aflição... Gritar? Como? Nem em pensamentos!

Eu chego lá. Eu chegarei lá, mesmo que desfigurado pelas maldades que me consomem, pelos vícios, pelas palavras em vão, pelas atitudes incertas, mas eu vou estar lá. E comigo vai a minha persistência  irritante. Anos a finco, muita luta. Lágrimas molham o meu rosto não pela dor, que é grande, mas porque já não posso mais.

Então, deu-se o fim. Fiquei pelo caminho! Perdi a batalha...

Calma! Não... Por que esse anjo brilhante não se apieda de mim e desaparece? Por que meus olhos queimam e não posso ver o meu próprio fim? Que luz é essa que de mim se aproxima e faz o meu coração acelerar? O que é isso que reaviva meu corpo e me põe de joelhos novamente? Por favor, identifique-se. Olhe meu estado humilhante. Não me deixe ainda pior do que já me encontro. Fale... Grite, mas reaja! Anjo que brilha diante dos meus olhos, explica-me? Teu silêncio dói. Por que ergues essa espada tão reluzente? Vai dar-me a sentença final? 

Anjo de misericórdia que com tua espada de justiça e compaixão aparece-me sem explicação. Carrega-me em tuas asas até o feixe de luz no alto dessa pedra e me retira da escuridão pela qual minha vida tem sido trilhada. Voa, anjo. Vai e leva esse pobre homem pecador! Apieda-te de mim! Tem compaixão de minh’alma. Mostra-me a verdade e por meio dela serei liberto da escravidão. Eu deposito a minha confiança  em Ti... 

Agora sim, desisto!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Ser Adolescente

O termo adolescente é de origem latina e significa "aquele que se desenvolve, cresce, aumenta". Sabemos o que significa adolescência, mas vamos agora saber o que é ser adolescente, algo que só é possível fazer por pessoas que já passaram ou estão passando por esta fase.
Ser adolescente é ser diferente, é ver o mundo de outra maneira, enchergar apenas o que se quer ver, é viver a vida como der para vivê-la, e inovar, imaginar, resumir a vida em uma brincadeira, é demorar a tomar decisões, é querer andar sempre na moda, é gostar de chocolate, é dormir tarde, sofrer antes do tempo, amar sem ser amado, é brigar com a mãe, acordar tarde aos domingos, viver na bagunça. Ser adolescente é defender apenas a sua opinião, é querer maandar em tudo, é achar que o mundo gira ao seu redor, é confundir Física e Química, é adorar Matemática, é conversar com o espelho,  sorrir para esconder uma lágrima, é gritar de felicidade, cantar e chorar no chão do banheiro, descobrir que nada é para sempre, é ser sincero, tomar banho de chuva.
Ser adolescente é ter segredos, ciúmes e descobrir novas amizades. É gostar de "Crepúsculo", gostar de festas, dar tudo por pessoas que nem te conhecem, usar gírias e ter preguiça para fazer a tarefa de casa, é mudar de humor a cada instante.
Ser adolescente não se resume a tudo que já foi dito. Há quem diga que é a fase mais complicada da vida, mas de uma coisa posso ter certeza: essa é a fase que eu vivo mais intensamente!

Texto escrito por Samantha Cunha Vieira, aluna do 8° ano da Escola Modelo. Parabéns pelas sábias palavras.

CURSO REDIGIR IGUATU

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Curso específico de Língua Portuguesa e Redação para ENEM, concursos e outros vestibulares.